sexta-feira, 29 de julho de 2016

O USO INTELIGENTE DO COMPUTADOR NA EDUCAÇÃO José A. Valente



INTRODUÇÃO

O que seria a utilização do computador na educação de maneira inteligente? Seria fazer aquilo que o professor faz tradicionalmente ou seja passar a informação para o aluno, administrar e avaliar as atividades que o aluno realiza, enfim, ser o "braço direito" do professor; ou seria possibilitar mudanças no sistema atual de ensino, ser usado pelo aluno para construir o conhecimento e, portanto, ser um recurso com o qual o aluno possa criar, pensar, manipular a informação?

A análise dessa questão nos permite entender que o uso inteligente do computador não é um atributo inerente ao mesmo mas está vinculado a maneira como nós concebemos a tarefa na qual ele será utilizado. Um sistema educacional mais conservador certamente deseja uma ferramenta que permite a sistematização e o controle de diversas tarefas específicas do processo atual de ensino. Uma máquina de ensinar e administrar esse ensino facilita muito a atividade do professor. Sistemas computacionais com essas características já foram desenvolvidos, desempenhando tarefas que contribuem muito para essa abordagem educacional e passam a ser muito valorizados pelos profissionais que compartilham dessa visão de educação. Por outro lado, os profissionais da educação que não compartilham dessa abordagem educacional certamente não necessitam de sistemas computacionais com tais características. Mesmo os sistemas de ensino mais sofisticados, com qualidades de inteligência - como a capacidade de identificar os erros cometidos pelos alunos ou indicar tarefas de acordo com o nível do aluno - não são considerados como uma forma de uso inteligente do computador na educação.

Isso significa dizer que a análise de um sistema computacional com finalidades educacionais não pode ser feita sem considerar o seu contexto pedagógico de uso. Um software só pode ser tido como bom ou ruim dependendo do contexto e do modo como ele será utilizado. Portanto, para ser capaz de qualificar um software é necessário ter muito clara a abordagem educacional a partir da qual ele será utilizado e qual o papel do computador nesse contexto. E isso implica ser capaz de refletir sobre a aprendizagem a partir de dois pólos: a promoção do ensino ou a construção do conhecimento pelo aluno.

Nesse artigo será defendida a idéia de que o uso inteligente do computador na educação é justamente aquele que tenta provocar mudanças na abordagem pedagógica vigente ao invés de colaborar com o professor para tornar mais eficiente o processo de transmissão de conhecimento.

SOFTWARE  QUE  PROMOVEM  O  ENSINO
O termo ensino está sendo entendido segundo a origem latina da palavra (insignare), ou seja, a transmissão de conhecimento, de informação ou de esclarecimentos úteis ou indispensáveis à educação e à instrução. Nesse caso, o conhecimento gerado pela humanidade é compilado, classificado, hierarquizado de acordo com o grau de dificuldade e ministrado ao aluno a partir do nível mais fácil para o mais difícil. Essa concepção de educação é baseada no modelo empirista e assume que a retenção do conhecimento se dá como conseqüência da contigüidade e da freqüência com que ele é transmitido. Se o professor se esmera na preparação e na transmissão do conhecimento ao aluno, e se o aluno realiza um bom trabalho na memorização desse conhecimento, está garantido o sucesso do processo de ensino.

Quando o computador é usado para passar a informação ao aluno, o computador assume o papel de máquina de ensinar, e a abordagem pedagógica é a instrução auxiliada por computador. Geralmente os software que implementam essa abordagem são os tutoriais, os software de exercício-e-prática e os jogos. Os tutoriais enfatizam a apresentação das lições ou a explicitação da informação. No exercício-e-prática a ênfase está no processo de ensino baseado na realização de exercícios com grau de dificuldade variado. Nos jogos educacionais a abordagem pedagógica utilizada é a exploração livre e o lúdico ao invés da instrução explícita e direta (Valente, 1993a). Esses software podem ser incrementados com características de inteligência como os "intelligent tutorial systems", capazes de identificar os erros mais freqüentes e ajudar os alunos a superá-los (como o sistema Buggy), auxiliar a resolução de problemas específicos (como os sistemas especialistas), ou software para auxiliar o professor a planejar suas aulas ou a monitorar o desempenho dos alunos (Wenger, 1987).

Os software que promovem o ensino existentes no mercado mostram que a tarefa do professor é passível de ser totalmente desempenhada pelo computador e, talvez, com muito mais eficiência. Primeiro, o computador tem mais facilidade para reter a informação e ministrá-la de uma maneira sistemática, meticulosa e completa. O computador jamais se esquece de um detalhe, se isso estiver especificado no seu programa. Uma dor de cabeça ou um problema familiar jamais altera a sua performance. Segundo, essa capacidade de sistematização do computador permite um acompanhamento do aluno em relação aos erros mais freqüentes e à ordem de execução das tarefas. Muitas vezes o professor tem muita dificuldade em realizar esse acompanhamento que pode ser feito pelo computador de uma maneira muito mais detalhada. Terceiro, os sistemas computacionais apresentam hoje diversos recursos de multimídia, como cores, animação e som, possibilitando a apresentação da informação de um modo que jamais o professor tradicional poderá fazer com giz e quadro negro, mesmo que ele use o giz colorido e seja um exímio comunicador. A vida das crianças está tão relacionada com o uso dessas mídias que é inglório tentar competir com a informática.

Se é esse o panorama, a pergunta mais natural é por que não enveredarmos por esse caminho e disseminarmos os software que promovem o ensino? A questão é que essa abordagem educacional não dá conta de produzir profissionais preparados para sobreviver no mundo complexo em que vivemos. O mundo atualmente exige um profissional crítico, criativo, com capacidade de pensar, de aprender a aprender, de trabalhar em grupo e de conhecer o seu potencial intelectual, com capacidade de constante aprimoramento e depuração de idéias e ações. Certamente, essa nova atitude não é passível de ser transmitida mas deve ser construída e desenvolvida por cada indivíduo, ou seja, deve ser fruto de um processo educacional em que o aluno vivencie situações que lhe permitam construir e desenvolver essas competências. E o computador pode ser um importante aliado nesse processo.



SOFTWARE  QUE  AUXILIAM  A  CONSTRUIR  CONHECIMENTO
Como auxiliar do processo de construção do conhecimento, o computador deve ser usado como uma máquina para ser ensinada. Nesse caso, é o aluno quem deve passar as informações para o computador. Os software que permitem esse tipo de atividade são as linguagens de programação, como BASIC, Pascal, Logo;  os software denominados de aplicativos, como uma linguagem para criação de banco de dados, como DBase ou um processador de texto; ou os software para construção de multimídia. Esses software oferecem condições para o aluno resolver problemas ou realizar tarefas como desenhar, escrever etc. Isso significa que o aluno deve representar suas idéias para o computador, ou seja, "ensinar" o computador a resolver a tarefa em questão.

Para "ensinar" o computador a realizar uma determinada tarefa, o aluno deve utilizar conteúdos e estratégias. Por exemplo, para programar o computador usando uma linguagem de programação, o aluno realiza uma série de atividades que são de extrema importância na aquisição de novos conhecimentos (Valente, 1993b). Primeiro, a interação com o computador através da programação requer a descrição de uma idéia em termos de uma linguagem formal e precisa. Segundo, o computador executa fielmente a descrição fornecida e o resultado obtido é fruto somente do que foi solicitado à máquina. Terceiro, o resultado obtido permite ao aluno refletir sobre o que foi solicitado ao computador. Finalmente, se o resultado não corresponde ao que era esperado, o aluno tem que depurar a idéia original através da aquisição de conteúdos ou de estratégias. A construção do conhecimento acontece pelo fato de o aluno ter que buscar novas informações para complementar ou alterar o que ele já possui. Além disso, o aluno está criando suas própria soluções, está pensando e aprendendo sobre como buscar e usar novas informações (aprendendo a aprender).

Embora essa idéia seja mais adequada na formação de profissionais para a sociedade atual, ela tem se mostrado mais complicada na sua implantação. Primeiro, o ciclo descrever-executar-refletir-depurar-descrever não acontece simplesmente colocando o aluno frente ao computador. A interação aluno-computador precisa ser mediada por um profissional que tenha conhecimento do significado do processo de aprendizado através da construção do conhecimento, que entenda profundamente sobre o conteúdo que está sendo trabalhado pelo aluno e que compreenda os potenciais do computador. Esses conhecimentos precisam ser utilizados pelo professor para interpretar as idéias do aluno e para intervir apropriadamente na situação de modo a contribuir no processo de construção de conhecimento por parte do aluno. Além disso, essa abordagem exige mudanças profundas do sistema educacional, como a alteração do papel atribuído ao erro (não mais para ser punido, mas para ser depurado), a não segregação das disciplinas, a promoção da autonomia do professor e dos alunos e a flexibilização de um sistema rígido, centralizado e controlador. Enfim, transformar a escola que nós conhecemos.

CONCLUSÕES
Se o computador pode ser usado para catalisar e auxiliar a transformação da escola, mesmo diante dos desafios que essa transformação nos apresenta, essa solução, a longo prazo, é mais promissora e mais inteligente do que usar o computador para informatizar o processo de ensino.

O  ensino tradicional ou a informatização do ensino tradicional são baseados na transmissão de conhecimento. Nesse caso, tanto o professor quanto o computador são proprietários do saber, e assume-se que o aluno é um recipiente que deve ser preenchido. O resultado dessa abordagem é o aluno passivo, sem capacidade crítica e com uma visão de mundo limitada. Esse aluno, quando formado, terá pouca chance de sobreviver na sociedade atual. Na verdade, tanto o ensino tradicional quanto a informatização desse ensino prepara um profissional obsoleto.

As mudanças que ocorrem nos meios de produção e de serviço indicam que os processos de apreciação do conhecimento assumirão papel de destaque, de primeiro plano (Drucker, 1993). Essa mudança implica em uma alteração de postura dos profissionais em geral e, portanto, requer o repensar dos processos educacionais. Nesse caso, devemos utilizar todos os recursos disponíveis para isso, inclusive o computador, mesmo sabendo que não estamos usando os mais sofisticados sistemas computacionais. Devemos ter muito claro o que é importante do ponto de vista pedagógico e como tirar proveito da tecnologia para atingirmos tal objetivo. Isso é ser inteligente. Informatizar o ensino é solução mercadológica, moderninha, paliativa e que só contribui para adiar as grandes mudanças que o atual sistema de ensino deve passar. Isso não é solução inteligente!

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Drucker, P.F. (1993). Post-Capitalist Society. New York: HarperCollins.

 

Valente, J.A. (1993a). Diferentes Usos do Computador na Educação. Em J.A. Valente (Org.), Computadores e Conhecimento: repensando a educação (pp.1-23). Campinas, SP: Gráfica da UNICAMP.

 

Valente, J.A. (1993b). Por Quê o Computador na Educação. Em J.A. Valente (Org.), Computadores e Conhecimento: repensando a educação (pp. 24-44). Campinas, SP: Gráfica da UNICAMP.

 

Wenger, E. (1987) Artificial Intelligence and Tutoring System: Computational and Cognitive Approaches to the Communication of Knowledge. Califórnia: Morgan Kaufmann Publishers.




Texto publicado na:
Pátio - revista pedagógica
Editora Artes Médicas Sul
Ano 1, Nº 1, pp.19-21







O filósofo francês diz que a internet vai nos permitir construir uma inteligência coletiva


 
Ricardo Prado
  Revista Nova Escola – Agosto/2003
Foto Daniel Aratangy

Aos 47 anos, o filósofo francês Pierre Lévy é um dos principais defensores do uso do computador e, em particular, da internet na ampliação do conhecimento humano (e em sua democratização). É o autor de conceitos como "tecnodemocracia" e "cosmopédia" e um dos criadores do programa Árvores do Conhecimento, que organiza grupos de usuários da internet segundo interesses culturais. A maioria de seus livros - como A Inteligência Coletiva e Cibercultura - já foi traduzida no Brasil

O surgimento dos computadores e, mais tarde, de uma rede para interligar as pessoas em todo o mundo, foi uma conquista tão importante para a humanidade como o controle sobre o fogo, acredita o filósofo francês Pierre Lévy. Segundo ele, estamos entrando na época da noosfera (o prefixo noo quer dizer "relativo ao espírito"), na qual aparece pela primeira vez a possibilidade de construir uma inteligência coletiva. No livro Cibercultura, ele lança a pergunta e dá a resposta: "Como manter as práticas pedagógicas atualizadas com esses novos processos de transação de conhecimento? Saindo de uma educação e de uma formação institucionalizadas (a escola, a universidade) para uma situação de troca generalizada de saberes". Para chegar a essa cultura planetária, a escola precisa assumir um papel fundamental: criar modelos de aprendizagem em que o professor seja um "animador da inteligência coletiva" do grupo de alunos e não mais um fornecedor de conhecimentos. Professor da cadeira de Pesquisas sobre Inteligência Coletiva da Universidade de Ottawa (Canadá), Lévy afirma que todos temos a obrigação de enriquecer nossa coleção de competências ao longo da vida. Ou seja, a divisão clássica entre um tempo de estudo e outro de trabalho já era. Em maio ele esteve em São Paulo e concedeu a seguinte entrevista.

O senhor criou a expressão "inteligência coletiva". O que é isso?
É a capacidade de trocar idéias, compartilhar informações e interesses comuns, criando comunidades e estimulando conexões. Para começar, tome o cérebro humano. Fazemos infinitas conexões que se intensificam à medida que envelhecemos. Agora imagine que podemos, graças ao computador, integrar essa "constelação de neurônios" com a de milhões de outras pessoas. Essa é a comparação que faço. A internet nos permite hoje criar uma superinteligência coletiva, dar início a uma grande revolução humana.
O que essa idéia de inteligência coletiva tem a ver com a educação?
Eu vejo uma mudança qualitativa nos processos de aprendizagem, rumo a uma aprendizagem cooperativa. Aliás, essa é a melhor tradução de inteligência coletiva para o campo educativo. Num cenário como esse, o professor torna-se um animador da inteligência coletiva da turma. Estamos iniciando uma época em que iniciativa, liderança, ânimo e empenho serão características cada vez mais valorizadas. Se você é um empregado que tem como objetivo pessoal produzir o menos possível, não está fazendo nada de bom — nem para o próprio desenvolvimento particular nem para a sociedade. O que a sociedade precisa é que todos tentem se desenvolver até o máximo de suas potências criativas, seja criando negócios e teorias ou então inventando ferramentas e produtos, de acordo com as habilidades de cada um.
O local ideal para formar esse ambiente estimulante e criativo é a universidade?
Acredito que o primeiro agrupamento humano que tomou consciência de estar criando uma inteligência coletiva foi a universidade, com as comunidades de cientistas e especialistas de vários países que estudam simultaneamente um mesmo tema. Isso se tornou possível porque a produção de conhecimento e os avanços científicos estão fortemente embasados na colaboração. Hoje penso que a universidade continua tendo um papel importante na construção da inteligência coletiva, mas jamais um papel exclusivo. Isso é tarefa de toda a sociedade.
Como a escola pode participar dessa construção da inteligência coletiva?
Praticando-a, dando exemplos. Eu penso que os professores da Educação Básica devem estimular o que chamo de "competição cooperativa" entre os alunos, ensinando-os a fazer parte de um time e a usar os computadores ligados à rede mundial.
O que é, exatamente, essa "competição cooperativa"?
Existe, naturalmente, uma grande disputa entre os estudantes. Quem tem as melhores notas, quem é o segundo, quem é o último. A competição faz parte da escola, mas por si só ela é negativa. Penso que é papel de todos os educadores usar essa energia para produzir questões como "quem é o mais criativo?" (em vez de "quem é capaz de repetir o que o eu disse?"). Incentivar a cooperação entre os estudantes é uma forma de estabelecer outro padrão de disputa e valorizar a integração. Isso é a competição cooperativa.
O senhor defende que a escola deve preparar os alunos para uma aprendizagem cada vez mais veloz. Por quê?
A velocidade na aprendizagem aumentou porque vivemos numa cultura na qual o conhecimento muda muito mais rapidamente do que em séculos passados. Se eu vivesse na Idade Média ou na época do Império Romano, o que tivesse aprendido quando jovem ainda seria verdadeiro por ocasião da minha morte. Assim, eu usaria durante o resto da vida o que vi na escola. Atualmente isso não vale mais. A informação circula com enorme rapidez e é cada vez mais fácil ter acesso a ela, graças aos computadores e à internet. Por isso, a escola precisa acompanhar essa velocidade do mundo.
A internet é, para usar uma expressão sua, um "hiperdocumento vivo em expansão permanente". Essa avalanche de informações não vai parar nunca?
Penso que não. Estamos apenas no início de uma espécie de explosão cultural, uma explosão que é exponencial e renova o sentido de liberdade. É preciso ter consciência de que a existência da internet não significa que tudo possa ser acessado. Ao contrário. O que é importante é saber que ganhamos opções, porque não precisamos concordar com tudo nem podemos, individualmente, saber de tudo. O barato é a oportunidade de fazer conexões com pessoas que compartilham interesses comuns. Por isso, acredito que essa rede vai, sim, se tornar infinitamente mais complexa. Exatamente como acontece com os neurônios do nosso cérebro.
O que o senhor acha de um filme como Matrix, que parte do pressuposto de que a realidade é fruto de um programa de computador?
É um grande filme. Sobretudo porque fala de questões que nada têm a ver com a informática. Eu o vejo como uma espécie de história budista. No filme, os heróis descobrem que a realidade que eles percebem por meio de seus sentidos é inteiramente fabricada por uma máquina e que a "realidade real", por assim dizer, está além do que eles conseguem ver, exatamente o mesmo que os budistas dizem a respeito da ilusão.
Qual foi seu primeiro contato com o computador?
Eu tinha em torno de 17 anos e estava prestando o serviço militar. Era encarregado de alimentar os computadores do Exército com cartões de identificação perfurados, para gerar listas. Tratava-se de um sistema rudimentar que empregava a lógica binária dos computadores, ainda que não possuísse tela nem teclado.
Por que o senhor classifica o computador como "máquina universo"?
Porque ele materializa um sonho matemático de criar uma máquina capaz de calcular tudo. Havia na França, no fim da década de 1970, um sistema chamado Minitel, uma espécie de internet desenvolvida pela companhia de telecomunicações e mantida pelo Estado com propósitos estratégicos. Na quela época, eu li pela primeira vez textos e livros que falavam da possibilidade de integrar os computadores numa rede e logo compreendi que aquela seria uma grande revolução.
Os computadores criaram um paradoxo: as idéias são mais valorizadas e ao mesmo tempo é mais fácil enviar pela internet textos anônimos e falsificações...
Essa questão é essencial. A propriedade intelectual é cada vez mais importante porque é justamente nela que se sustenta o patrimônio das pessoas mais ricas do mundo. A riqueza está nas idéias. Por isso, não acredito que a propriedade intelectual desaparecerá na internet. Na minha opinião, o que vai ocorrer é que, após um período de transição, teremos uma necessidade de adaptar as regras de propriedade intelectual para uma nova situação, mais flexível, provocada por essa facilidade de divulgar idéias via internet.
O que levou o senhor a decidir se mudar da França para o Canadá?
Porque eu queria lecionar uma disciplina que se chamasse Inteligência Coletiva e, na França, não consegui. No Canadá me disseram: "Você quer criar uma disciplina? Vá em frente". Assim pude desenvolver, na Universidade de Ottawa, um projeto de dez anos de duração que tem por objetivo estudar e acompanhar a formação da inteligência coletiva.
Durante acontecimentos recentes, como a guerrano Iraque, vimos pela primeira vez a ocorrência de manifestações simultâneas e vinculadas em várias partes do mundo. Isso é uma "conexão planetária"?
Sim, sem dúvida nenhuma. A simultaneidade dessas manifestações sinalizou o nascimento de um espaço público global, ou seja, a formação de um canal de expressão para uso de uma opinião pública mundial.



quinta-feira, 28 de julho de 2016

A importância dos jogos pedagógicos na prática


28 de Julho de 2016 - Estímulo, Memória, Cores, Encaixes, Forma geométrica, Tetris... Desenvolvendo Habilidades Cognitivas